segunda-feira, 30 de julho de 2012

Não podes recusar


-Ir contigo ao baile? Mas que raio é que eu ganho com isso? -perguntou Isiam, bocejando, visivelmente irritado por ter sido acordado.
-Se ele acreditar que não estás realmente interessado nele... -tentou explicar Tomoya.
-Ficará muito magoado. -interrompeu-o o mais baixo, tentando entender os pontos positivos do plano.

Tomoya franziu o sobrolho, ao ter sido interrompido. Perguntava-se o porquê de isso o impedir de o ajudar.

-Talvez. Mas com o tempo a mágoa desaparece. E aí eu terei o caminho livre.
-Novamente, quais são as minhas vantagens?
-Ele desistirá de ti e não te chateará mais. Queres mais?

Isiam olhou para Tomoya, pensativo. Este permanecia de braços cruzados a olhar para ele, como que à espera de uma resposta. Não estava a achar muita piada à hesitação de Isiam.

-Mas entendo que não me queiras ajudar. Afinal, todos sabem que gostas dele. E que não gostas minimamente de mim. -declarou, virando costas para se ir embora, sorrindo maliciosamente sem que o outro notasse.
-O quê? I-isso não é verdade! -gritou, puxando Tomoya pelo braço.
-Então... não vejo que problemas poderás ter por colaborar comigo.

Isiam olhou-o, zangado. Tomoya sorria, já à espera da confirmação do rapaz. Talvez Tomoya tivesse razão. Ele não gostava de Alois. Por isso, não tinha nada a perder. Só estava a ajudar um amigo a ser feliz, num futuro próximo. Não era tão má ideia assim como parecia de início. Porque não?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Hey, Isiam, tenho uma proposta para ti




Comprados alguns fatos e máscaras no centro de Londres, os rapazes regressavam ao orfanato. Donna tinha ido com alguns, também, embora tivesse já decidido que seria ela a fazer o seu próprio fato. E o de Alois.

E, entretanto, Tomoya organizava o seu pequeno plano. A pior parte seria o começo. Se arranjasse coragem para falar com Isiam, talvez corresse tudo bem. Talvez ele aceitasse colaborar com ele. Não havia de custar muito, certo? O 'não' estava já garantido, não tinha muito a perder se fosse falar com ele.

Quando o dia do baile já estava próximo, levantou-se cedo, arranjou-se e saiu do quarto. Caminhava lentamente pelo corredor do primeiro andar enquanto pensava no que iria dizer. A sua relação com Isiam não era das melhores, tinha de admitir. O truque seria apresentar-lhe as razões certas para ele colaborar.

Bateu à porta, ligeiramente nervoso. Temia também que o rapaz ainda estivesse a dormir.

-Isiam?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um baile?




Donna afixava papéis no painel de notícias da Jewel Days quando foi surpreendida por Tomoya.

-Então? O que vem aí? -perguntou, curvando-se de maneira a estar perto do ombro da pequena.
-Oh. -riu-se baixinho, contente pela presença do rapaz ali- Eu pedi ao Jack para prepararmos um baile.
-Um baile?
-Um baile de máscaras. -explicou ela, sorrindo.

Tomoya olhava para Donna e para os papéis enquanto esta os afixava. Dança, música e pessoas mascaradas não era de todo uma má ideia.
Ainda faltava bastante, segundo o anúncio. Teria tempo para ver quem ia, para arranjar o seu fato e a sua máscara e para trabalhar num possível plano. Plano esse que arruinaria um monte de relações. E de pessoas, talvez.

Conversas podem mudar muita coisa



Por vezes tem-se medo de mudar a situação actual das coisas. Tem-se medo de avançar, de falar. E muitas das vezes fingimos que esquecemos o que fizemos. Para não ter de mudar nada. Para não ter de avançar.

Isiam optou por essa saída.

Os dias passaram e Alois não tocou na conversa que deixara por acabar. Ele percebia que Isiam queria esquecer o diálogo, e que iria ficar embaraçado caso o loiro trouxesse o assunto ao de cimo outra vez. Mas algo tinha mudado. Pelo menos, ele já sabia que Isiam se sentia magoado por causa de Tomoya.
E o que é certo é que as rejeições ao comportamento compulsivo de Tomoya começaram a aumentar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O que aconteceu?



Alois tinha ficado de levar o livro esquecido ao quarto deste, à tarde.

-Obrigado. -agradeceu Isiam, secamente, preparando-se para o despachar e para fechar a porta do seu quarto. Alois travou-a com a mão.

-Vais mandar-me embora assim? -perguntou, com um olhar inocente.
-Tens mais alguma coisa para mim? -chutou Isiam, áspero.

Alois olhou-o nos olhos. Olhos mais frios do que o costume. Mais insensíveis. Murmurou um hesitante "Não...".

-Então podes ir embora. Não fazes cá falta. -atirou, desviando rapidamente o olhar.

Alois voltou a empurrar a porta com a mão, pois Isiam estava determinado em fechá-la. As suas palavras, especialmente as da última frase, foram pronunciadas com um quê de sarcasmo e frieza.
Alois fez ainda mais força na porta até conseguir entrar no quarto. Isiam acabou por ceder e ficou a olhá-lo quando ele conseguiu entrar.

-O que queres?
-Isiam, o que tens? -perguntou Alois, verdadeiramente preocupado, ignorando a pergunta do rapaz.
-Como assim, "o que tenho"? Eu estou bem.
-Não, não estás. O que aconteceu? Queres que te faça companhia?


Isiam olhou para Alois com um certo desprezo. Um breve silêncio instalou-se no quarto.

-Não. Não quero companhia. Vai fazer companhia ao teu amiguinho! -gritou, voltando a desviar o olhar.

Alois pareceu espantado. Pela súbita mudança de tom de voz e pela conversa. O silêncio que se voltou a instalar nos segundos seguintes era assustador.

-C-como assim? Isiam...

Alois aproximou-se de um Isiam quase encolhido de medo e vergonha. Pousou delicadamente um braço à volta dos ombros de Isiam.

-Isiam, isso são... ciúmes?


Isiam olhou-o, meio zangado e meio preocupado. Não. Claro que não. Não podia ser. Afastou-o bruscamente, em direção à porta do quarto.

-Não, Alois! Só acho que podias ter-me contado. Vai ter com ele agora, deixa-me em paz.

Não tenho nada com isso




-O que há entre vocês? Ou o que houve? -perguntou o mais baixo, com os braços à volta dos próprios joelhos, numa das poltronas da sala, tentando não parecer muito interessado.
Tomoya olhou para Isiam, surpreendido pela pergunta súbita.

-Só uns beijos, nada mais. -disse, encolhendo os ombros.

Isiam não conseguiria forçar sorrisos naquele momento, muito menos para Tomoya, por isso limitou-se a manter o olhar fixo no chão e a apertar as pernas contra si.

-Agora, se não te importas, tenho de me ir deitar. -informou o rapaz, ignorando a falta de reação de Isiam e atravessando a sala para subir para os quartos.

A notícia não era nada de que Isiam não estivesse à espera, ele sabia-o. Mas ter a confirmação é normalmente pior do que apenas pressentir.
A Isiam não lhe agradava nada a ideia de se sentir chocado, ou abalado, com a confirmação de um leve pressentimento. Porque ele não tinha nada a ver com o assunto. O loiro não tinha nada que lhe contar isso. E até seria bom, porque deixaria de se preocupar com Alois por algum tempo. Era até uma boa notícia, no fim de contas.

...certo?