Alois tinha ficado de levar o livro esquecido ao quarto deste, à tarde.
-Obrigado. -agradeceu Isiam, secamente, preparando-se para o despachar e para fechar a porta do seu quarto. Alois travou-a com a mão.
-Vais mandar-me embora assim? -perguntou, com um olhar inocente.
-Tens mais alguma coisa para mim? -chutou Isiam, áspero.
Alois olhou-o nos olhos. Olhos mais frios do que o costume. Mais insensíveis. Murmurou um hesitante "Não...".
-Então podes ir embora. Não fazes cá falta. -atirou, desviando rapidamente o olhar.
Alois voltou a empurrar a porta com a mão, pois Isiam estava determinado em fechá-la. As suas palavras, especialmente as da última frase, foram pronunciadas com um quê de sarcasmo e frieza.
Alois fez ainda mais força na porta até conseguir entrar no quarto. Isiam acabou por ceder e ficou a olhá-lo quando ele conseguiu entrar.
-O que queres?
-Isiam, o que tens? -perguntou Alois, verdadeiramente preocupado, ignorando a pergunta do rapaz.
-Como assim, "o que tenho"? Eu estou bem.
-Não, não estás. O que aconteceu? Queres que te faça companhia?
Isiam olhou para Alois com um certo desprezo. Um breve silêncio instalou-se no quarto.
-Não. Não quero companhia. Vai fazer companhia ao teu amiguinho! -gritou, voltando a desviar o olhar.
Alois pareceu espantado. Pela súbita mudança de tom de voz e pela conversa. O silêncio que se voltou a instalar nos segundos seguintes era assustador.
-C-como assim? Isiam...
Alois aproximou-se de um Isiam quase encolhido de medo e vergonha. Pousou delicadamente um braço à volta dos ombros de Isiam.
-Isiam, isso são... ciúmes?
Isiam olhou-o, meio zangado e meio preocupado. Não. Claro que não. Não podia ser. Afastou-o bruscamente, em direção à porta do quarto.
-Não, Alois! Só acho que podias ter-me contado. Vai ter com ele agora, deixa-me em paz.
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