terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ele estará sempre aqui



Era óbvio que aquilo me assustava. Mas eu não dizia nada. Eu só estava a sonhar, a sonhar com um louco qualquer. Quando acordasse estaria tudo bem. Só tinha de ser forte até a noite passar.

Sentia-me perdida, como se estivesse numa floresta, sozinha. Queria sair dali. Mas também queria ouvir o que ele tinha a dizer.

E sim, eu acordei, depois de ele me dizer tudo o que queria. Tive um dia normal, sem loucos a ocuparem-me a mente.
Mas de noite tive o mesmo sonho. Sonhei que entrava pelo espelho num jardim, que formava um labirinto. Encontrei-o na clareira outra vez. Estava lindo, como na noite anterior.

Isto assustou-me. Ele viria realmente todas as noites ter comigo?
Eu não tinha medo dele, tinha medo da situação em si. Ele não parecia querer fazer-me mal. Era tão bonito, delicado. E tinha asas enormes, tal como um anjo. Tirando um ou outro sorriso que pareciam mostrar o seu lado mais insano, era muito querido.
Mas porquê eu?

Uma noite após outra, ele estava lá. Ele cumprimentava-me sempre com um sorriso. Ele queria saber como tinha corrido o dia. E eu contava. Ele... Ele estava sempre lá.
Comecei a habituar-me. Ele começou a contar-me o que os sonhos podem fazer, de bom e de mau. E foi aí que percebi que ele tinha uma ideia em mente.

Eu costurava bonecos. Bonecos e bonecas de pano. E já lhe tinha falado delas. Ele pareceu interessado, na altura não percebi porquê. E, numa noite, sussurrou-me algo como:

E se lhes déssemos... vida?


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