sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Que alguém o apanhe... e o abrace



-Hey, miúdo novo! Não queres sentar-te connosco?
-Eu sei que não querem a minha companhia, escusam de fingir.
Donna suspirou, ao ver o rapaz loiro pousar o tabuleiro com o almoço a umas mesas de distância e a comer sozinho, depois de ter respondido aos habitantes habituais do orfanato com desprezo.

~

-Gente inferior... -murmurava Alois.
-O que disseste?
Alois pegou nos livros e virou-se para a origem da voz. Vinha de um rapaz alto que já estava no orfanato desde a sua criação, ou quase. Pousava as mãos na mesa de forma intimidadora.
-Gente inferior.
-Porquê? Julgas-te melhor?
-Não, nem por isso. Mas se ajudo alguém, é porque realmen...
-Ora aí está, nunca te vi a ajudar ninguém desde que chegaste. E como sabes mais, podias ajudar quem não está a perceber a fazer exercícios, ou algo assim.
Os tons de voz começavam a elevar-se.
-Como dizia, se ajudo alguém, é porque realmente quero que a pessoa fique melhor, seja naquilo que for. Consigo ver a hipocrisia nas vossas caras e os vossos olhares de tédio quando o fazem. Só não percebo porquê. -gritava Alois para o agora irritado rapaz à sua frente.
-O quê?!
-Basta!
Donna pegara no livro e batera com ele na mesa com toda a sua força, calando os dois jovens que discutiam. Eles olharam perplexos para a rapariga.
-Alois, sobe. E tu, continua o que estavas a fazer.
Obedeceram, um tanto chateados. Alois subiu para o seu quarto em silêncio, deixando a biblioteca com um ambiente pesado.

~

Uma rosa vivia numa redoma. A redoma foi-lhe retirada, mas a rosa ainda não estava pronta para viver no mundo exterior. Era demasiado frágil e delicada. E encontrou na arrogância uma forma de se esconder de tudo e todos.

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