domingo, 29 de abril de 2012

É tudo uma questão de tempo



-Ainda bem que os senhores já vieram. Já não falta muito para te ires embora para o teu quarto outra vez. -comentava Isiam, visivelmente contente. Alois não respondeu. A alegria do amigo por causa do facto de ele se ir embora incomodava-o um pouco, mas tentava não deixar transparecer isso.

Isiam preparava-se para descer, para ir às aulas. Pegou nos seus livros e ajeitou-os debaixo do braço. Também era altura de Alois descer, mas este continuava sentado na cama, a olhar para o vazio.

-Não te incomoda? -perguntou, ignorando a pressa do outro.
-O quê? -perguntou Isiam.
-A desarrumação. Se eu dormisse aqui também, podia deixar isto arrumado, como o meu está. -disse, sorrindo de modo patético.
-Ah, não, obrigado pela oferta. -respondeu Isiam, frio.

«Ainda bem que não vai ficar aqui muito mais tempo», pensava Isiam. Ele sabia que por dentro daquela casca meio amarga (ou excessivamente doce, talvez), Alois era alguém com quem podia contar e sabia-lhe bem não o ter como inimigo. Mas estava já farto das suas conversas.

Alois levantou-se e pegou também ele nos seus livros. Passou por Isiam, no momento parado e perdido nos seus pensamentos, e abriu a porta. Quando estava o suficiente perto do ouvido de Isiam, falou-lhe, com um ar malicioso.

-Tu sabes que é uma questão de tempo.
-Uma questão de tempo? -perguntou-lhe, surpreendido.
-Uma questão de tempo até seres meu. -sussurrou.

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