Alois estava a tornar-se possessivo. Não era só a protecção, quando Isiam precisava dela. O loiro começava a tratá-lo como se ele lhe pertencesse.
Pelo lado positivo, ele podia fazer tudo o que quisesse. Digo, com as outras pessoas. Se lhe desse vontade, podia convidá-las para sair. Podia gostar delas. Mas os outros é que não lhe podiam tocar. Não o podiam convidar para lado nenhum e não podiam gostar dele.
Ele observava sempre tudo, a uma dada distância. E tinha ciúmes de todos com quem ele falava. Ciúmes de tudo em que ele tocava. Mas sabia controlar-se. Respirar e manter a calma. Desde que fosse Isiam a fazer, tocar ou falar.
Se os outros passassem o limite que ele próprio tinha estabelecido, não se importava de se levantar do lugar e dar espectáculo ali, à frente de todos.
Aos poucos, o pessoal ia aprendendo que não deveria tocar no Isiam. Porque arranjar problemas com Alois nunca fora divertido.
Isiam não fazia menos amigos por causa dele, mas todos sabiam que não se podiam aproximar mais do que aquilo. Isiam também nunca fora muito sociável, mas sentia-se preso.
De facto, Isiam não gostava do comportamento possessivo de Alois. Ele "não gostava" era pouco. Ele detestava. Mas não discutia. Apenas resmungava em voz baixa e o afastava quando era realmente preciso. Não tinha falado com Donna sobre o assunto, mas já toda a gente no orfanato se tinha apercebido da situação.
Eu não sou... teu.
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