Era uma tarde de Outono, com uma temperatura amena e o sol quase completamente escondido atrás das nuvens. A brisa era já fresca demais para a maioria das crianças vir para a rua brincar, mas ainda havia quem gostasse de sair do ambiente um pouco monótono do orfanato.
Alois era uma dessas crianças.
Por mais incrível que pudesse parecer, ele gostava de sair à rua. Adorava o conforto do interior, mas também apreciava uns bons momentos ao ar livre.
Tinham passado alguns meses desde que tivera essa ideia. Era Verão e ele observava da janela um ou outro grupinho de raparigas a atravessar o pátio e a partir para o interior do bosque.
E, quando começou a observar com mais atenção, percebeu que se juntavam em pequenos esconderijos entre as árvores e arbustos.
E também ele quis um esconderijo.
Confesso que ele teve melhor gosto do que esses grupos de raparigas. O seu esconderijo ficava numa pequena clareira, bastante afastado do orfanato. Apenas à distância de poucos metros, havia uma pequena nascente, que formava um lago, não muito grande também.
Lá, prometeu a si mesmo que não o iria mostrar a ninguém. E que aquele lugar seria só dele. Que, quando o mau tempo do Inverno passasse, iria começar a trazer para ali algo que tornasse a clareira um pouco mais especial.
E nessa tarde, em que já muitos tinham preferido ficar lá dentro, ele saiu para a sua clareira. Como sempre, verificou se ninguém o via. Não iria deixar que um simples erro arruinasse o seu pequeno segredo. Porque aquela clareira era dele. Dele e só dele.
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