segunda-feira, 2 de abril de 2012

Uma pequena enfermeira



-Chegou mais uma, George.

O jovem viu a secretária entrar no escritório com um monte de papéis nas mãos. Ela olhou para Jack, que se encontrava sentado num canto do escritório.

-Oh, olá, Jack. O que te traz aqui? -perguntou ela, sorrindo.
George encolheu os ombros enquanto aceitava os papéis da rapariga.
-Veio cá tratar de negócios, Lorraine. Negócios relacionados com a Jewel...
-Jewel Days, exactamente. -interveio Jack, sorrindo.

Era raro Jack vir à cidade tratar desses assuntos, mas era algo necessário. Lorraine sorriu para ele. Jack, com o olhar fixo no corredor, viu uma rapariga que aparentava ter cerca de dezassete anos. Tinha o comprido cabelo castanho preso numa longa trança atrás das costas, pele clara e usava óculos pretos de forma rectangular.

-A idade vai atrasar o processo. Vai fazer dezoito anos para o ano e será meio difícil encontrar vaga para ela. -continuou Lorraine para George, ignorando o facto de a rapariga estar a ouvir tudo do lado de fora.
Jack viu-a suspirar, triste.

-Talvez a aceitem no que abriu há pouco tempo, não? Ela contou-me também que percebe de enfermaria porque o sei pai era médico.

George examinava atentamente os documentos da jovem. A rapariga sentou-se num banco, ficando de frente para a porta e de frente para Jack, que lhe sorriu. Ela retribuiu, corando um pouco.

-Disse-me que queria muito poder ir trabalhar e que não queria ir para um orfanato. Mas cada um tem de enfrentar o seu destino, não é mesmo? -observou Lorraine.

Jack levantou-se e, sob o olhar curioso dos dois adultos, saiu do escritório para se ir sentar no banco ao lado da rapariga. Os seus olhos tristes, de um tom azul esverdeado, observavam Jack atentamente.

-Como é que te chamas? - perguntou ele, delicadamente, e pegando-lhe na mão.
-Waliay. -respondeu timidamente.
-E não queres ir viver para um orfanato, não é?
-Não quero ser tratada como um peso, como alguém sem utilidade. Queria ir trabalhar, para não dar trabalho a ninguém. Não quero ser um problema.

As suas palavras, na sua voz doce, tocaram Jack. Mas mais do que as palavras, era a mistura entre tristeza e esperança no seu olhar. Ela parecia um pouco embaraçada por tê-lo a falar com ela, mas ainda assim mostrou o que sentia.

-Ainda és nova, como sabes, mas penso que posso fazer algo por ti. Queres vir trabalhar como enfermeira para o meu orfanato?


Os olhos de Waliay brilhavam sempre que se lembrava desse dia. E cada vez o imaginava mais bonito. Cada vez com mais um sorriso de Jack. Mais uma palavra bonita do jovem.
Só acordava quando ouvia alguém a chamar por ela. E aí, ajeitava o seu uniforme de enfermeira e ia ajudar quem quer que precisasse de ajuda. Sempre com um sorriso no rosto.

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