E nessa noite, ela veio ainda mais cedo. Pergunto-me se estaria com sono quando se foi deitar.
Ela chegou e encheu o jardim com o seu sorriso. Nessa noite, não me abraçou.
-Como foi o dia, pequena? -perguntei.
-Como sempre.
Era habitual ela não me contar muito logo à primeira pergunta que eu fazia. Mas ela estava um pouco diferente do costume. Parecia preocupada.
Sentou-se ao pé de mim e ficou ali um bocado, sem dizer nada, só a balançar os pés e com a cabeça encostada ao meu corpo.
Será que não me ia contar sobre aquilo que a atormentava? Como sonho, tenho o poder de entrar nas suas memórias, e podia ir ver o que se tinha passado se fosse realmente necessário, mas prometi a mim mesmo que me ia comportar. E que ia confiar nela.
Ela parecia tão frágil, ali a meu lado. A suave brisa fazia os seus delicados cabelos ruivos esvoaçarem, assim como as pontas do seu vestido. Só de pensar naquilo que lhe poderia fazer, se não tivesse um pingo de decência no meu corpo -cof-
Eu achava-a frágil, pequena, jovem. Mas já tinha percebido que ela era diferente. Que tinha uma mentalidade um pouco diferente dos jovens da idade dela. A maneira de falar e mesmo a de pensar eram mais adultas. Ela parecia realmente ter uns dez anos, com aquele corpo. Mas aquela mente era especial.
Estar ali, ao lado dela, soube-me maravilhosamente bem. Abracei-a.
-Donna... Pareces preocupada. Não me vais contar nada?
-Oh, Heshi, não é nada. Estou só curiosa para ver como correm as coisas com os rapazes.
Beijei-lhe a cabeça, já bastante mais aliviado.
-Com o Isiam e com o Alois?
-Sim. Não sei se o Isiam gosta muito do meu loirinho.
Eu ri-me. Ela olhou para mim, e parecia perguntar-se porque me tinha rido.
-Eles hão de dar-se bem, não te preocupes.
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