terça-feira, 3 de abril de 2012

Não, ele não é um sonho mau



Donna correu pelo labirinto até Heshian. Já estava mais do que habituada à presença dele e, para ser sincera, já não passava sem ele.

Ele estava a tocar um violino imaginário quando ela chegou. Ela riu-se. Aquele riso típico de criança. Tipicamente feliz. Tipicamente verdadeiro.

-Como estás? -perguntou ele, atirando o instrumento imaginário para trás das costas, e fazendo sinal para que ela se sentasse ao seu colo.
Donna sentou-se a seu lado, abraçando-o. Ele retribuiu, fazendo-lhe festas no cabelo ruivo.

Ele sorria. Tinha-se afeiçoado à rapariga.
Heshian tinha bastante poder. Os sonhos podem fazem muito durante o período em que o humano dorme. Podem influenciá-los também a fazer coisas que nunca imaginaram fazer, no dia-a-dia.
Mas tinha prometido a si mesmo que não a magoaria. Já que esta ficaria com ele para sempre, queria tratá-la bem. E o seu receio no início, de que ela não gostasse dele, foi desaparecendo.

Poderíamos dizer que Heshian não era um santo. Milhares de ideias passavam pela sua cabeça quando não estava com Donna. Ideias assustadores, repugnantes. Porque, antes de receber a rapariga, ele tinha convivido com vários outros sonhos. Sonhos menos bonzinhos, se é que me entendem.
E tais ideias poderiam vir a ser concretizadas, se ele visitasse mais gente.
Mas com Donna era diferente. Heshian gostava realmente dela.

-Eu estou bem, Heshi. E tu?

Talvez mais do que deveria.

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